Sede Insaciável

Em 1970, o famoso pregador batista Billy Graham pregou para milhares de pessoas no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, um sermão cujo título era “O Carnaval da Morte”. Naquela noite, o texto bíblico utilizado pelo renomado conferencista era o capítulo 5 do livro do profeta Daniel, no Antigo Testamento.

 

Neste capítulo está registrada a última noite do império babilônico, quando o rei Belsazar resolveu completar sua péssima administração dando uma festa para sua nação, um verdadeiro carnaval (Daniel 5:1). Naquela mesma noite, os exércitos de Ciro, o conquistar Medo Persa, aproveitaram o descuido da guarda babilônica e conquistaram facilmente a poderosa Babilônia, construída pelo avô de Belsazar, Nabucodonosor.

 

Porém muito mais profundo e antigo que um artefato arqueológico vindo de Babilônia, está a constante busca pelo prazer no coração do ser humano. As páginas da história estão repletas de personalidades reais e camponeses, eruditos e iletrados que se aventuraram por esta senda repleta de alegrias, mas com um pesaroso sentimento no seu final. Numa época festiva, e porque não desastrosa, como é o carnaval, nunca é demais refletirmos nos exemplos vindos de pessoas que tiveram suas vidas transformadas em sertões áriados quando se afastaram de Deus.

 

Um dos melhores exemplos para nossa geração hedionda é o escritor irlandês Oscar Wilde (1854 – 1900). Tendo sido criado em uma família protestante, Wilde demonstrava ser alguém dotado de várias habilidades intelectuais. Era dramaturgo, poeta, crítico e um escritor prolífico. Com menos de trinta anos já havia ganho diversos prêmios da literatura grega e latina. Anos mais tarde escreveu diversas obras, entre as quais “O retrato de Dorian Gray”. Mas sua mente parecia estar em um campo de batalha entre o amor de Deus e sedução do sensual.

 

Apesar de casado, em 1895 Wilde passou dois anos na prisão por cometer atos imorais com vários rapazes. Ele considerava a homossexualidade como a demonstração mais pura de amor. Seu destino após a prisão foi Paris, na França, onde passou seus últimos anos. Finalmente, em novembro de 1900, uma forte miningite foi responsável por tirar sua vida. Alguns sugerem que a mesma foi agravada pelo alcóol e pela sifílis. Morreu como qualquer outro, mas não sem fazer uma última decisão.

 

Momentos antes de morrer, Oscar solicitou a presença de um sacerdote católico para lhe oferecer perdão já que o caminho trilhado por ele não era capaz de lhe proporcionar paz. Uma conclusão um tanto óbvia para um gênio, mas que demorou para ser entendida. Seu funeral foi realizado na histórica igreja Saint-German-des-Près, no centro da agitada Paris.[1]

 

Certamente Deus não é contra o prazer, muito pelo contrário. O Salmo 16, escrito pelo famoso rei Davi, encerra com as seguintes palavras: “na Tua presença há plenitude de alegria, na Tua destra, delícias (prazer) perpetuamente” (vs. 11). Ao invés dos prazeres oferecidos nas ruas de pequenas ou grandes cidades, Ele nos oferece prazeres lícitos, prazeres saudáveis, prazeres que saciem esta sede insaciável em nosso coração. Este é um padaroxo que somente Ele pode tornar verdadeiro em nossas vidas.


[1] Boa parte das informações históricas de Oscar Wilde foram retiradas da obra “Sense and Sensuality: Jesus talks with Oscar Wilde on the Pursuit of Pleasure”, de Ravi Zacharias (Multnomah, 2002).

Pr. Luiz Gustavo Assis

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s